C A M I N H A D A
O primeiro passo foi o mais difícil,
A certeza era de cair.
A surpresa veio com o segundo passo que seguiu,
fui aplaudido, aclamado, abraçado... amado.
Depois eu nem contava mais os passos,
Me contavam as passadas que um dia eu iria dar.
Eram tantas placas, tantos caminhos,
Eu não sabia que mais difícil que andar
Era saber pra onde ir.
Claro que na ânsia por correr,
Meus primeiros caminhos não levaram a lugar nenhum.
Ao olhar pro lado, os aplausos sumiam,
Afinal também se perdiam.
Com o tempo fui aprendendo qual era o meu lugar,
Aprendi quais caminhos evitar.
Às vezes por orientação,
outras vezes pelos meus próprios pés.
Tinha hora que as ruas eram cheias e gente,
outros trechos eram bem vazios.
Às vezes eu parava, me ajudava a voltar pra caminhada,
outras vezes tudo o que eu queria era parar,
(assim, parar de vez!)
Dai vinha aquela voz me dizendo pra continuar,
"Só mais um passo, só mais um pouco, eu estou bem atrás de você."
Depois eu comecei a indicar uns caminhos também,
Uns eu errava, outros acertava,
E às vezes o que não funcionou pra mim
Para outro funcionava.
Caminhar é difícil, mas também é difícil a caminhada.
No caminho se cruza com todo tipo de gente,
Gente que abre caminho,
gente que mente.
Gente que atrapalha,
gente decente,
gente que anda só um pedaço,
e gente que anda com a gente pra sempre.
Hoje as passadas já não são tão firmes,
tem ladeira que eu não aguento mais subir,
tem escadas que não consigo mais descer,
mas eu olho pra trás e me orgulho do tanto que caminhei.
Não há caminhos errados ou certos,
afinal todos me trouxeram até aqui.
Bate no peito só a saudade daquelas encruzilhadas que hoje não se cruzam mais,
E saber que mesmo minha caminhada chegando ao fim,
ainda há esperanças de que quem seguir
encontre os caminhos sem olhar para trás.
— Max Satre Lin
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